O peso da idade na recolocação
Recebemos a seguinte questão de uma Leitora do blog:
Li o comentário da jovem de telemarketing em que, como você disse, "você ainda é muito nova", com certeza ela tem a juventude a favor. O que diria sobre meu marido que tem dois cursos: administração e tecnólogo em logística, porém com 50 anos? Desde 2008 não consegue colocação. Falta qualificação com 26 anos de experiência? Ou sobra idade?
Cara Leitora, a questão que você coloca é muito comum. Grande parte dos profissionais, como é natural, envelhece e acaba não havendo espaço na pirâmide hierárquica para acomodar a todos. Porém, falta de espaço na pirâmide não significa falta de espaço no mundo profissional.
Muitos funcionários nesta situação optam por outras formas de carreira: alguns se tornam consultores de empresas, outros iniciam uma carreira como professores técnicos ou universitários e uma boa parcela se torna micro empresário como franqueado de alguma grande rede de franquias.
Caso a vocação ou o desejo de seu marido seja realmente continuar a carreira em empresas saiba que ainda há espaço para ele. Ou na concorrência, ou em empresas menores em segmentos similares, ou até em outras cidades e regiões. A experiência acumulada ao longo dos anos tem muito valor.
Outro ponto a ser lembrado é que a economia brasileira está aquecida e o desemprego tem diminuído. Discordo um pouco da linha eufórica de que haja um apagão de mão de obra generalizado no país. O que existe são pessoas mal preparadas que não conseguem entrar no mercado de trabalho ou cargos técnicos específicos com alta demanda que não conseguem encontrar mão de obra suficiente. Porém acredito que à medida que o tempo passa mais as contratações começam a subir dos baixos para os altos escalões, aumentando as chances de recolocação em todos os níveis.
No caso do seu marido seria útil conversar com ex-chefes ou colegas, ou até mesmo professores de pós-graduação que possam lhe dar um feed-back sobre como anda a empregabilidade de profissionais com o perfil dele. Faltaria algum curso, algum idioma, alguma certificação ou uma pedida salarial menor para ser recolocado e com o tempo retomar um patamar superior?
E por fim, devemos lembrar que cada vez mais vivemos a era da informação e do conhecimento e que pessoas com bagagem e experiência, trabalhando ou não, têm um grande valor. Por mais difícil que este período seja é muito importante ter persistência, manter o foco e pensar e agir com otimismo.
Afinal um das grandes lições que a idade nos traz é que não há mal que sempre dure, nem bem que nunca termine!
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Roberto Caldeira é adm. de empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, com pós graduação em Novos Negócios pela Harvard Extension School. Executivo de sucesso das áreas de marketing e vendas, em empresas nacionais e multinacionais, contabiliza em 20 anos de atividade profissional no Brasil e no exterior, mais de 5.000 entrevistas a candidatos a vagas de emprego. Autor do livro "os Segredos do Entrevistador", com participação de Max Gehringer, com dicas sobre como se preparar para uma entrevista de emprego.
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