Eu, uma marca a ser vendida

Em tempos de competição acirrada, com centenas de novas empresas buscando espaço na mente dos consumidores, marcas nunca foram tão relevantes. Um ativo intangível, porém muito valioso, uma marca possui identidade, valores e personalidade própria. Destacar-se e ser reconhecida dentre um mar de opções é a diferença entre o sucesso e o fracasso.
A saga para a construção e manutenção de uma marca pode ser resumida assim: existe o posicionamento, que é o que a empresa diz que é. E existe a imagem, que é como o consumidor acha que a marca é. E o alinhamento destas duas áreas é o grande desafio.
Na maioria quase absoluta das grandes empresas, a utilização da marca segue regras rígidas. Existem inclusive agências especializadas que prestam consultoria a empresas sobre a utilização de sua marca, definidas no MIV, manual de identidade visual. O que pode, o que não pode, quando é on-line, quando é impresso, quando é fundo branco, quando é fundo preto etc.
O Google vem quebrando este paradigma há anos, brincando com seu logo para homenagear figuras importantes, em datas comemorativas, através dos chamados Doodles. Foi assim com o aniversário de Charles Chaplin, de Van Gogh, e esta semana com a bailarina americana Martha Graham (na imagem acima), dentre diversos outros.
O que é notável é que fora os desenhos criativos utilizados, a palavra Google, com sua fonte oficial, está sempre presente. Apesar das brincadeiras e da adequação ao momento, a essência da empresa continua preservada.
E que lições podemos tirar disto para nossas carreiras?
Como nas empresas, nosso eu profissional é um produto com uma marca, que precisa ser divulgado e vendido no mercado. E como o Google, podemos adaptar nossa marca em momentos específicos.
Quando enviamos um currículo ou quando vamos para uma entrevista, podemos nos vender pelo ângulo que mais interessa e atende às necessidades da empresa no momento. Um gestor da área administrativo-financeira por exemplo, com experiências múltiplas em sua carreira. Se o candidato que a empresa procura deve ter experiência na implantações de sistemas de gestão financeira, é isto que deve ser destacado pelo candidato na sua comunicação. Se procuram um profissional com foco em otimização de processos de trabalho, esta deve ser a ênfase dada ao currículo e às entrevistas.
Currículos podem ser adaptados para cada situação, entrevistas podem ser direcionadas para determinado aspecto. Adaptar-se às necessidades específicas do momento. Mas tudo isto, como o próprio Google nos ensina, sem perder a nossa essência!
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Roberto Caldeira é adm. de empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, com pós graduação em Novos Negócios pela Harvard Extension School. Executivo de sucesso das áreas de marketing e vendas, em empresas nacionais e multinacionais, contabiliza em 20 anos de atividade profissional no Brasil e no exterior, mais de 5.000 entrevistas a candidatos a vagas de emprego. Autor do livro "os Segredos do Entrevistador", com participação de Max Gehringer, com dicas sobre como se preparar para uma entrevista de emprego.
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