Lições a um recém formado sobre um banco em apuros
O grande público foi pego de surpresa nos últimos dias com a divulgação das dificuldades pelas quais passa o banco Panamericano. O banco, que pertence ao grupo Silvio Santos, teve que recorrer a um socorro bilionário para cobrir um rombo ocasionado por supostas fraudes contábeis e desvios financeiros. Muita informação ainda está por vir a respeito deste assunto. Porém já se pode tirar algumas conclusões que gostaria de dividir principalmente com aqueles que iniciam sua vida profissional, para que evitem certas armadilhas que o mundo corporativo pode apresentar ao longo da carreira.
A primeira conclusão é, sim, ainda vale a pena desenvolver uma carreira em uma empresa de auditoria de primeira linha. Elas são sérias e bem intencionadas. Recrutam os melhores formando disponíveis, ensinam a estes jovens, através de um árduo caminho, um ofício que lhes garante uma carreira não apenas nestas empresas como também em outros segmentos onde estes profissionais são cobiçados. Neste e em outros casos de dificuldades financeiras em empresas, no Brasil e no exterior, empresas renomadas de auditoria não foram capazes de detectar indícios de fraudes ou fragilidades nas empresas examinadas. Este assunto ainda vai gerar muita polêmica e muita dor de cabeça para as empresas deste segmento. Como disse, acredito na seriedade destas empresas e de seus profissionais. O que precisa ser revisto é a metodologia utilizada na coleta e análise de dados que dão amparo a seu parecer final.
A segunda conclusão é sobre a questão emprego versus negócio próprio, assunto que passa pela cabeça de muitos funcionários ao longo da vida. Embora seja em muitos casos uma decisão difícil de se tomar, a diferença entre ambas as opções é fácil de explicar. É a decisão entre o certo (emprego) e o incerto (negócio próprio), entre a segurança (salário) e a incerteza (lucro ou prejuízo), entre a construção lenta de um patrimônio relativamente seguro ou a possibilidade da construção mais rápida de um patrimônio que pode ruir da noite para o dia. Veja o caso de Silvio Santos que, ao completar 80 anos de idade foi obrigado a oferecer como garantia todo o patrimônio empresarial construído durante uma vida. Qualquer que seja a opção, emprego ou negócio, a escolha pode ser muito gratificante, desde que o profissional leve em conta o seu perfil pessoal e se dedique à sua escolha com afinco e dedicação. E é claro, que se cerque de profissionais à altura do desafio.
E por fim uma última conclusão. Todos estão sujeitos em sua vida profissional a tomar decisões incorretas. Faz parte do jogo. Porém o importante é como se lida com as conseqüências deste erro. Quando uma empresa comete erros e enfrenta sérias dificuldades, o gestores devem lutar contra a tentação fácil de se livrar do prejuízo através de venda de parte ou do todo a uma empresa pública. Não podemos afirmar que seja o caso do banco mencionado, que hoje tem como sócio um banco público. Porém é uma questão de princípios. Dificilmente seremos uma sociedade mais desenvolvida em diversos aspectos enquanto perdurar a filosofia de se privatizar os lucros e socializar os prejuízos.
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Roberto Caldeira é adm. de empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, com pós graduação em Novos Negócios pela Harvard Extension School. Executivo de sucesso das áreas de marketing e vendas, em empresas nacionais e multinacionais, contabiliza em 20 anos de atividade profissional no Brasil e no exterior, mais de 5.000 entrevistas a candidatos a vagas de emprego. Autor do livro "os Segredos do Entrevistador", com participação de Max Gehringer, com dicas sobre como se preparar para uma entrevista de emprego.
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