O subordinado que todo chefe gostaria de ter: seja parte da solução!
Comentamos em um post recente, do dia 28/11/09, as sete principais características que todo chefe gostaria de ver nos subordinados. A segunda característica é ser parte da solução e não do problema. Esta característica ficou bem clara e explícita para mim quando trabalhei em uma empresa familiar em que o fundador, sexagenário, ainda rondava o escritório central e as lojas, sem uma função claramente definida, mas assegurando-se de que os detalhes de tudo estavam de acordo com os seus preceitos. Por um lado isto era bom pois a filosofia que havia norteado e empresa em relação à qualidade do atendimento aos clientes era sempre reavivada, mas por outro lado era ruim pois algumas ordens desafiavam o planejamento e as regras de uma empresa que havia crescido e precisava caminhar de forma mais estruturada. Aquela figura do fundador era amada e temida. Amada pelo carisma e conhecimento, mas temida pela crueza e objetividade como avaliava funcionários na frente dos outros, sem dó nem piedade. Uma de suas máximas freqüentes era sobre o tema deste post. Muitas vezes os funcionários vinham até ele com um problema a ser resolvido. De maneira meio afoita, aflitos com a questão, atropelavam a si mesmos nas explanações e no afã de explicar o assunto não ouviam o que o chefe tinha a dizer. A cada sugestão do chefe o funcionário replicava com uma objeção, o que emperrava o desenrolar do assunto. O fundador, do alto de sua sabedoria, como que para dar um basta naquela comunicação desencontrada, segurava no braço da funcionária com calma, olhava nos seus olhos e calmamente dizia: “querida, você é parte do problema ou da solução?” Aquela frase tinha o poder mágico de centrar o pensamento da funcionária, de trazê-la de volta ao prumo, e de finalmente ouvir o que o chefe tinha a dizer. Estes episódios me serviram de ensinamento. Toda vez que levo um problema aos meus superiores levo junto uma ou mais possíveis soluções, com os prós e contras de cada alternativa. E exijo o mesmo de meus subordinados. Venha com um problema mas me traga junto a solução, ou pelo menos sugestões. Isto torna o trabalho mais produtivo e agradável para todos. Ao invés de elegermos um solucionador único de problemas, e sobre o qual tudo recai em uma empresa formada por irracionais comunicadores de problemas, criamos uma rede de solucionadores que avançam em suas atribuições, sentem-se desafiados, aprendem a lidar com as situações, a pensar em soluções e a se tornarem mais maduros e autônomos. E o fluxo de soluções de questões na empresa agradece pois ganha agilidade e mais autonomia. Portanto esta é a contribuição que gostaria de deixar. A de que para galgarmos os degraus hierárquicos de uma empresa com sucesso, precisamos entender que nosso papel é de auxiliar com subsídios na tomada de decisões, e não apenas nos especializarmos em levar questões insolúveis aos nossos superiores.
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Roberto Caldeira é adm. de empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, com pós graduação em Novos Negócios pela Harvard Extension School. Executivo de sucesso das áreas de marketing e vendas, em empresas nacionais e multinacionais, contabiliza em 20 anos de atividade profissional no Brasil e no exterior, mais de 5.000 entrevistas a candidatos a vagas de emprego. Autor do livro "os Segredos do Entrevistador", com participação de Max Gehringer, com dicas sobre como se preparar para uma entrevista de emprego.
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