Saia justa na faculdade, saia justa na vida
Todos conhecem a expressão popular “ficar numa saia justa” que significa ficar em uma situação delicada ou constrangedora, com dificuldade de ação ou reação. Pois acompanhamos nos últimos dias a questão de uma universitária paulistana que encarnou esta expressão literalmente. Ao comparecer à aula trajando um vestido curto, foi hostilizada por seus colegas de universidade e tirada as pressas do local escoltada por policiais. Para apimentar a questão a universidade decidiu expulsar a aluna e ignorar alguns arruaceiros que incitaram a balburdia. No dia seguinte a expulsão foi revogada. Como em toda discussão polêmica, de um lado os defensores da liberdade de expressão e dos direitos das mulheres defendem o direito da aluna de se vestir como quiser e de ser respeitada. Do outro os que a acusam de passar dos limites e incitar à desordem das massas. Não nos cabe aqui julgar quem está certo ou errado, mas sim falar sobre os caminhos que nos levam a nossa formação profissional. Todo profissional começa a ser formado desde cedo, com a educação que recebe inicialmente em casa e depois na escola. São experiências que dão forma ao nosso bom senso, responsabilidade, e capacidade para lidar com pressão e conflitos. Na faculdade, além obviamente da bagagem teórica, dá-se início à formação voltada ao mercado de trabalho através de estágios, projetos e reuniões em grupo, além do aprendizado sobre como e onde buscar informações e com ela criar soluções. É uma experiência pré-profissional, uma última lapidação no jovem antes de adentrar definitivamente o mercado de trabalho. E este mercado tem regras claras, exige certas formalidades e demanda certos comportamentos. O que nos preocupa no caso da universitária hostilizada é que, por qualquer ângulo que se olhe a questão, verifica-se comportamentos inadequados por parte da universitária, que deveria observar uma formalidade um pouco maior para aquele ambiente pré-profissional; de seus colegas que deveriam demonstrar maior respeito e cordialidade e até da própria universidade que deveria ter demonstrado maior tolerância. Neste momento, em que os jovens estão em formação, ainda existe uma certa tolerância para comportamentos deste tipo. Mas no mundo corporativo, onde estes jovens estarão em alguns meses, não existe qualquer tolerância para “saias justas” assim. Não nos tornamos profissionais da noite para o dia. Este é um processo que leva anos. Portanto quando está a um passo de colocar as mãos no diploma espera-se que este profissional, já praticamente formado, tenha um comportamento mais maduro. E como diz um outro ditado, não basta apenas sermos profissionais; também temos que parecer profissionais.
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Roberto Caldeira é adm. de empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, com pós graduação em Novos Negócios pela Harvard Extension School. Executivo de sucesso das áreas de marketing e vendas, em empresas nacionais e multinacionais, contabiliza em 20 anos de atividade profissional no Brasil e no exterior, mais de 5.000 entrevistas a candidatos a vagas de emprego. Autor do livro "os Segredos do Entrevistador", com participação de Max Gehringer, com dicas sobre como se preparar para uma entrevista de emprego.
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