Quando é interessante ao profissional pagar pedágio
Dentre os questionamentos que recebemos de internautas, dois grupos chamam a atenção pela quantidade com que ocorrem e pela aparente dificuldade em resolver a situação. O primeiro grupo é o dos profissionais que possuíam um emprego de nível hierárquico médio ou alto, com boa remuneração, mas ficaram desempregados. Em muitos casos passam meses obcecados em voltar ao mercado de trabalho em uma vaga com o mesmo nível hierárquico e salário que possuíam antes. O segundo grupo é o dos profissionais que passam uns poucos anos em sua área de formação para então se dar conta de que não era a área que queriam. Retomam a vida acadêmica, formam-se em outra área e procuram adentrar o mercado de trabalho nesta sua nova área. Porém com pressa e ansiedade para recuperar o tempo perdido acabam recusando vagas que consideram ser de nível muito baixo.
Em ambos os casos existe uma alternativa, chamada informalmente de “pagar pedágio”, que não parece interessante no curto prazo mas que quando realizada de maneira planejada e paciente pode trazer resultados muito positivos para a carreira. Esta estratégia consiste em aceitar uma vaga em um nível inferior ao que o profissional se encontrava em seu último emprego. No caso o pedágio a ser pago é perder em nível hierárquico e em remuneração no curto prazo, para então se recuperar aos poucos e no médio prazo atingir o nível que deseja.
No caso do profissional que perdeu o emprego com nível elevado, o pedágio faz com que volte para o mercado de maneira mais rápida, continue na ativa apesar da menor remuneração, trabalhando para galgar um patamar melhor. No caso do profissional que decide mudar de área, o pedágio lhe permite adquirir experiência nesta nova área e também aos poucos subir na nova empresa.
Acredito que em nossa vida pessoal ou profissional existem ocasiões em que vale a pena ceder no curto prazo para garantir uma situação melhor no médio prazo.
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Roberto Caldeira é adm. de empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, com pós graduação em Novos Negócios pela Harvard Extension School. Executivo de sucesso das áreas de marketing e vendas, em empresas nacionais e multinacionais, contabiliza em 20 anos de atividade profissional no Brasil e no exterior, mais de 5.000 entrevistas a candidatos a vagas de emprego. Autor do livro "os Segredos do Entrevistador", com participação de Max Gehringer, com dicas sobre como se preparar para uma entrevista de emprego.
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