O que esperar de sites de empregos
Frequentemente recebemos questões de internautas frustrados com os resultados obtidos com os serviços de sites de empregos. Já fui usuário destas ferramentas e também já me senti frustrado. Recentemente tive acesso ao reverso da moeda e compreendi as frustrações que também podem acometer a quem contrata utilizando estas ferramentas. Ter sido usuário nas duas pontas, procurando emprego e procurando mão de obra, me possibilitou ver este sistema de uma maneira mais completa.
Na busca de emprego as deficiências que percebi foram as seguintes:
- Poucas ofertas de empregos exatamente com o perfil que determinei;
- Ofertas de empregos com perfil diferente do que escolhi;
- Absoluta falta de resposta de empregadores anunciando o recebimento de meu CV ou informando sobre o andamento do processo do qual participei;
- Um número razoável de oportunidades recebidas, poucas entrevistas geradas, para vagas em empresas que não eram exatamente o que eu procurava.
Na busca de mão de obra estes foram os pontos em que houve falhas:
- Processos excessivamente burocráticos e com diversas etapas para cadastrar uma vaga;
- Recebimento de CVs com perfil e/ou experiência diferente da solicitada – em parte devido à seleção automática falha dos sistemas, em parte devido ao cadastramento dúbio de alguns candidatos (ex: objetivo vaga em vendas e financeiro - áreas de perfil incompatível) e em parte devido à candidatos que na ânsia de enviar seu CV a uma vaga alegam ter experiência que de fato não têm;
- Recebimento de diversos CVs no período inicial de utilização, com redução drástica dos recebimentos após a primeira semana;
- Muitos currículos recebidos com poucas entrevistas geradas, com candidatos que não possuíam exatamente o perfil.
Conclusão:
Fica claro que há ajustes a serem feitos no matching (seleção e adequação) dos CVs às vagas e vice-versa. Uma relação de emprego leva em conta tanto variáveis mais tangíveis, como experiência profissional e acadêmica, quanto variáveis menos tangíveis como objetivos profissionais, personalidade, auto motivação e foco em resultados. E um sistema que faz a adequação de objetivos de um lado, com as expectativas do outro, pode ter dificuldades para promover encontros de partes que partilhem dos mesmos objetivos.
Portanto continuamos recomendando – nesta ordem - divulgação através de sua rede de relacionamentos, e-mails diretamente para os tomadores de decisão nas empresas em que você gostaria de trabalhar (veja aqui como fazer isto), o trabalhe conosco dos sites das empresas e por fim empresas de recolocação (as sérias que não cobram antecipadamente pela vaga dos seus sonhos).
Quanto aos sites de empregos, considere-os como aquela festa que você sabe que tem que ir mas não sabe que roupa usar. Continue a divulgar seu CV nestes sites (desde que gratuitos ou a um custo que seja conveniente para você). As quantidades astronômicas de vagas oferecidas por eles sempre representam uma chance a mais de ser recolocado. Lembrando-se sempre de procurar definir exatamente qual é o seu foco e quais são seus objetivos, de forma a aprimorar a mira para aquilo que você quer atingir e melhorar suas chances de ser contratado.
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Roberto Caldeira é adm. de empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, com pós graduação em Novos Negócios pela Harvard Extension School. Executivo de sucesso das áreas de marketing e vendas, em empresas nacionais e multinacionais, contabiliza em 20 anos de atividade profissional no Brasil e no exterior, mais de 5.000 entrevistas a candidatos a vagas de emprego. Autor do livro "os Segredos do Entrevistador", com participação de Max Gehringer, com dicas sobre como se preparar para uma entrevista de emprego.
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