E-mail no trabalho: quando a criatura domina o criador
Sou do tempo em que não existia fax. Nem celular, nem internet, e muito menos e-mail. A comunicação escrita entre as filiais e a matriz era feita por telex. E não faz tanto tempo assim: iniciei minha carreira profissional há 25 anos. Na multinacional em que trabalhava, o computador pessoal era uma novidade cuja utilização era um privilégio que exigia agendamento antecipado em lista de espera. E surpreendentemente, apesar das planilhas manuais e do lápis e borracha sempre sobre a mesa, o trabalho era feito, os prazos cumpridos e as metas atingidas. Não pretendo aqui fazer uma ode nostálgica aos velhos tempos. Muito pelo contrário, os avanços tecnológicos aumentaram significativamente a produtividade das empresas. Todavia o excesso criou um problema: o uso indiscriminado do e-mail. Esta ferramenta, criada para facilitar a comunicação, virou uma obsessão. Muitos funcionários passam o dia com os olhos vidrados no computador respondendo compulsiva e indiscriminadamente aos seus e-mails. Algo criado para aumentar a produtividade assumiu o papel de condutor de nossas ações. Quem comanda as prioridades não é mais o planejamento estratégico da empresa, mas sim a caixa de entrada do Outlook. Criou-se a noção de que responder a e-mails significa trabalhar. No frigir dos ovos isto significa que o funcionário passa o tempo todo resolvendo os problemas dos outros e se esquece de resolver os seus. Ao ser cobrado por suas responsabilidades, está aquém do esperado. E ninguém deseja nem precisa se colocar nesta situação. Portanto nunca perca de vista quais as suas prioridades. Normalmente elas são as do seu chefe, que por sua vez são as da empresa. Portanto lembre-se sempre de que o e-mail é uma ferramenta, mas não deixe que ele se torne o seu mestre!

Roberto Caldeira é adm. de empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, com pós graduação em Novos Negócios pela Harvard Extension School. Executivo de sucesso das áreas de marketing e vendas, em empresas nacionais e multinacionais, contabiliza em 20 anos de atividade profissional no Brasil e no exterior, mais de 5.000 entrevistas a candidatos a vagas de emprego. Autor do livro "os Segredos do Entrevistador", com participação de Max Gehringer, com dicas sobre como se preparar para uma entrevista de emprego.
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